BOCA MIÚDA| ESPECIAL FIM DE ANO: Retrospectiva da política na Região dos Lagos

Os principais acontecimentos políticos que marcaram o ano de 2017 em Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios, São Pedro, Iguaba e Araruama

Em: 30/12/2017 às 09:15:08

CABO FRIO: Crise e processos na Justiça

O ano de 2017, em Cabo Frio, começou com o prefeito eleito decretando estado de emergência financeira, logo após tomar posse, no dia 3 de janeiro. O objetivo foi acelerar a compra de insumos, sem a necessidade de licitações, já que a cidade passava por forte crise, com greve de servidores, hospitais fechados e muita sujeira pelas ruas, herança do governo anterior. Marquinho Mendes conseguiu negociar com os sindicatos e todos os serviços foram restabelecidos. Desde o primeiro semestre, o prefeito cabo-friense enfrenta processos na Justiça. Um deles o tornou nacionalmente conhecido, o da aplicabilidade da Lei da Ficha Limpa, julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em que o caso dele foi tomado como exemplo pelo relator, ministro Luiz Fux. O mais curioso é que entre os julgamentos nas diversas instâncias da Justiça, Marquinho não foi afastado do cargo em 2017, nenhuma vez. Mesmo assim, a incerteza do futuro político da cidade é algo que paira sobre os juristas e cabo-frienses.

 

 

 

CABO FRIO: Polícia Federal e Protestos de servidores

No fim do primeiro semestre as coisas começaram a complicar. Sob pressão, Marquinho teve que abrir as contas para o MP e os servidores e também estendeu o prazo para o pagamento dos atrasados. No segundo semestre a situação financeira do município começou a apertar ainda mais e a única luz no fim do túnel era a liberação do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Em setembro, a Educação entrou em greve mais uma vez. Os atrasos no pagamento dos salários voltaram a acontecer e os protestos também. Em dezembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Basura, que investiga fraudes nos contratos de emergenciais para a coleta de lixo.  O então presidente da Comsercaf, Cláudio Moreira, foi preso junto com outras três pessoas. Marquinho anunciou a intervenção na autarquia e nomeou uma comissão, comandada pelo presidente do Ibascaf, Luiz Cláudio Gama. A Prime, empresa que prestava o serviço para a Comsercaf foi afastada.  O ano de 2017 se encerra com atraso no pagamento dos salários, protestos nas ruas e a cidade lotada para mais um Réveillon.

 

 

 

ARRAIAL DO CABO: Herança maldita e demissões

O ano começou em Arraial do Cabo, com a nova gestão tentando organizar a cidade na alta temporada. O prefeito Renatinho Vianna chegou a cortar o próprio salário, do vice e dos secretários em 50%, além de reduzir o número de secretarias e de comissionados. Contratos como o da Prolagos e do estacionamento foram cancelados e renegociados. Ele também fez auditorias e cortou funcionários fantasmas. Em meio à crise financeira, Renatinho teve que fazer demissões. Ele propôs a implantação da Taxa de Preservação Ambiental (TPA) e levou a prefeita de Bombinhas (SC), para apresentar o projeto em audiência pública. Mas o ano de 2017 foi de muitos desafios e dificuldades para Arraial do Cabo, com parte significativa da arrecadação municipal comprometida por dívidas da gestão passada, a Prefeitura também atrasou o pagamento dos salários. E, só na reta final do ano, o prefeito vem conseguindo alinhar as finanças e pagar todos os servidores.

 

 

 

SÃO PEDRO DA ALDEIA: Muamba Cam

O ano de 2017 começou sem nada muito surpreendente no Executivo. Cláudio Chumbinho reeleito prefeito seguiu com o governo. As grandes mudanças foram na Câmara de Vereadores. O novato Bruno Costa foi empossado presidente da Casa. A morte do vereador Guerreiro, por infarto, abriu espaço para Vitinho de Zé Maia. Mas o caso mais escandaloso foi o do “Muamba Cam”.  Em março, o carro com placa da Câmara de São Pedro da Aldeia foi flagrado com produtos piratas em blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Rodovia Presidente Dutra, em Floriano, distrito de Itatiaia. Bruno disse que não sabia de nada, abriu uma sindicância, que também não deu em nada. Ele chegou a dizer que “só Deus poderia tira-lo do cargo”. Bruno articulou com os aliados, antecipou a eleição para a presidência da Casa e foi reeleito. O ano se encerrou com embate entre ele e o grupo de Zezinho Martins e Bia de Guga, sobre o cumprimento do regimento interno.

 

 

 

BÚZIOS: Impeachment e o vem e vai de Dr. André

A política em Búzios pegou fogo o ano inteiro. Mas foi no primeiro semestre que o embate entre o prefeito e a oposição foi mais eletrizante. No início de fevereiro, a Câmara de Búzios anulou lei que autorizava a Prefeitura a pegar empréstimo bancário, no valor de R$ 30 milhões. O famoso G5, composto pelos vereadores da oposição, comandavam o legislativo e por um curto período deram bastante dor de cabeça para o prefeito. Mas não foram somente os vereadores que tiraram as noites de sono do Dr. André, a Justiça também não deu folga. Em março, o Ministério Público Eleitoral entrou com recurso contra diplomação do prefeito e do vice. Em junho, a Justiça determinou o afastamento de Dr. André do cargo. Situação que foi revertida rapidamente. Em julho, o prefeito foi afastado novamente, desta vez, por suspeita de fraudes em licitações. Após recurso da defesa, ele foi reconduzido ao cargo. Nesta mesma época, o processo de impeachment dele estava em andamento na Câmara, mas não vingou e foi arquivado, após sessões conturbadas. Em setembro, o TRE cassou mandato do prefeito e vice de Búzios com base na Lei da Ficha Limpa. Mas ele permanece no cargo, graças ao efeito de uma liminar.

 

 

 

 

BÚZIOS: O G5 desfeito

Após o impeachment frustrado, a Câmara passou a viver em outro clima. Três vereadores do G5 foram para a base do prefeito, deixando somente a vereadora Gladys Costa e o presidente da Casa, João Carlos Carvalho, o Cacalho, na oposição. Na tentativa de dar uma freada na feroz vereadora, o governo mandou o experiente vereador Lorram Silveira, que até então estava como suplente. Com ele na Câmara, os embates com Gladys pegaram fogo. Com a oposição enfraquecida, o prefeito passou a comandar com mais tranquilidade e chegou até a se ausentar em férias. Na reta final do ano, ele conseguiu aprovar o empréstimo, desta vez de R$ 25 milhões; aprovou também a LOA 2018, com remanejamento de 50%; e ainda emplacou aumento na taxa de lixo de 40%.

 

 

 

 

IGUABA GRANDE: Oposição x Prefeita

O ano de 2017, em Iguaba Grande, foi bem atípico. Começou com a prefeita Grasiella Magalhães enfrentando problemas com a Justiça, em processos que pedem a impugnação do diploma dela e do vice. Os dois, aliás, conseguiram ser diplomados graças ao efeito de uma liminar. Desde então, Iguaba vive a expectativa da realização de nova eleição. Grasiella até conseguiu iniciar o mandato com maioria na Câmara de Vereadores. Mas, no segundo semestre, após a prisão do vereador Jeffinho do Gás, acusado de homicídio, as coisas começaram a mudar. Muito a contragosto do governo, o suplente Paulo Rito foi empossado na vaga. Ele, junto com Vantoil e os outros três vereadores da oposição (Marciley, Alexandre e Alan), pressionaram a prefeita e a base. Emplacaram duas CPIs, a das Quentinhas e a dos Materiais de Construção. A primeira rendeu o afastamento de Grasiella do cargo e muito desgaste político. Graças ao recurso da defesa, ela foi reconduzida à prefeitura rapidamente. Encerrou o ano com o governo no CTI e espera ganhar fôlego para 2018. A oposição, apesar de não ter ganhado todas as batalhas, conseguiu tirar a prefeita do eixo e ganhar a simpatia de boa parte da população.

 

 

 

ARARUAMA: E os seus dois prefeitos

Em Araruama, o ano começou com o casal Lívia e Chiquinho da Educação reabrindo a UPA logo nas primeiras horas de janeiro. A nova prefeita enfrentou nas primeiras semanas protestos de servidores que estavam com salários atrasados. Em fevereiro comprou briga com muita gente, graças ao decreto municipal proibindo o Carnaval na cidade, sob alegação de que os recursos seriam utilizados na Saúde.  Em abril, a Justiça cassou mandato da prefeita de Araruama, Lívia de Chiquinho, por fraude eleitoral. No mesmo mês, a juíza da cidade proibiu Chiquinho da Educação de entrar na Prefeitura. O processo de cassação do mandato não foi para frente, mas a prefeita sim, ela reformou praças, escolas, hospitais e até o teatro municipal. Ao contrário do que tem acontecido nas demais cidades, o pagamento dos salários dos servidores está em dia e por diversas vezes, foi pago antecipadamente.

 

 

 

ARARUAMA: Contas aprovadas

e Réveillon da história

Com a mulher à frente da Prefeitura, o poder de Chiquinho da Educação é quase incalculável. Ele reverteu o afastamento dele da Prefeitura. Mas não foi só isso, Chiquinho também conseguiu que a Câmara (na atual gestão) aprovasse as contas dele de 2008 e reprovasse as contas do ex-prefeito, Miguel Jeovani, de 2015. Chiquinho agora sonha com o governo do Estado, para isso, lançou a pré-candidatura dele pelo Avante. E Lívia, agora aguarda a chegada de 2018, com grande festa na cidade, com direito a queima de fogos e show com a Beija Flor de Nilópolis.

 

 

 



Repórter Renata Cristiane
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